A dor de cabeça e uma mente ansiosa em profusão

Ontem tive uma dor de cabeça imensa já no finalzinho da aula de ioga. De repente, do nada. Deve ter sido algum movimento errado ou por que tivesse esquecido os óculos em casa. Mas o que mais me chamou atenção foi perceber a avalanche de pensamentos que conseguem invadir a minha mente em um mesmo instante. Sim, porque imagino que a maioria das pessoas só pensaria “Que dor de cabeça! O que será isso?”. Mas, em menos de um minuto, eu pensei:

  • Que dor de cabeça! O que será isso?
  • Mal consigo abrir os olhos. Será que vou ter um AVC?
  • Foi a falta de óculos?
  • E se eu tiver que ser socorrida?
  • Como eu vou conseguir sair dessa sala e descer as escadas com essa dor de cabeça? Alguém vai me ajudar? Vão conseguir me ajudar? Acho que estou pesada.
  • Ainda bem que estou de calcinha nova, caso precise ir pra um hospital.
  • Ainda bem que a depilação está em dia, caso precise ir a um hospital.
  • Não quero ir de roupa de ginástica! Será que dá tempo – e consigo – trocar de roupa?
  • Alguém pode pegar meu casaquinho? Em emergência de hospital normalmente faz frio.
  • Ninguém precisa telefonar pra minha mãe, que eu não quero preocupá-la. Já estou acostumada a ir sozinha em emergência de hospital.
  • Qualquer coisa eu ligo. Tomara que tenha bateria suficiente no celular.
  • Pra que eu fui esquecer os óculos? Droga!

Esta, caros amigos, é  uma mente ansiosa trabalhando! No final eu me acalmei, tomei um Dorflex e voltei ao trabalho. Não fiquei 100%, mas não era nadinha, diante da dor de cabeça que eu senti. Não precisei de hospital nem nada, evidentemente.

A preguiça que os 40 anos trazem

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Quarenta e dois, quase 43 e uma certa preguiça. Nem me refiro àquela vontade de não fazer nada, de ficar em casa vendo Sessão da Tarde enquanto come pipoca – essa até existe também, mas aqui o assunto é outro: é uma certa preguiça de ir contra. Durante boa parte da vida fui a que se sentia na obrigação de mostrar a opinião, entrava na discussão disposta a vencer, pela razão ou pelo cansaço.

Hoje o cansaço me vem primeiro. Quando penso no tempo que vou perder, no estresse que talvez tenha, na energia que aquilo tudo vai me demandar…dá uma preguiça medonha! Tem que valer a pena, tem que ser algo que valha (para mim) dar a opinião, tenho que ter motivação pra discussão, ou, se não, apenas não.

Nem sempre isso funciona, é certo. Ainda me meto em umas barcas furadas. Mas já saí de tantas outras movida por essa preguiça. Claro que, com isso, ouvi muitos absurdos fazendo apenas a minha melhor cara de “não vale a pena” e deixei de expôr vários pontos de vista.  Nada muito importante, evitei o enfado. Talvez essa preguiça que a casa dos 40 anos tragam não seja realmente preguiça, afinal. Pode ser apenas que seja a maturidade, chegando de forma enviesada e disfarçada, junto com mais humor, que me faz relevar mais coisas e deixar passar. Vale observar e deixar ser.

Um Domingo de Comida Árabe

Árabe, síria, libanesa, palestina (sabia que Recife tem muitas pessoas de origem palestina? Fique sabendo, pois)…tanto faz…chamarei tudo de “comida árabe”, ok? Isso resume o que foi grande parte do meu dia, hoje. Há tempos eu estava com vontade de comer pratos árabes…mas nada de esfiha do Habib’s, pelamor! Queria uma coisa gostosa de verdade. Aliás, quando estive em São Paulo recentemente, pensava muito que queria aproveitar pra isso (sim, grande parte do que queria fazer em São Paulo era comer algumas coisas que tem lá, para matar as saudades). Pra minha sorte, na rua onde está a casa da minha amiga Carol, onde fiquei hospedada, tem um restaurante chamado “Gêmeos Esfiha” e foi lá onde nos refastelamos uma noite, com coalhada seca, quibe cru e outras delícias.

E como quase tudo que eu trouxe de “lembrancinha de viagem” para mim pode ser resumido como “tempero” ou “ingrediente”, resolvi fazer algo em casa. Tenho um livrinho de receitas árabes há anos (comprei pra aprender a fazer agrados para um ex…se tornou ex antes que eu o agradasse com isso…hehehe), mas nem me fixei tanto às receitas dali. Não foi nada complicado (ok,não sei fazer receitas complicadas, só coisas práticas), então fomos de quibe de forno, cuscuz de semolina (o tal “couscous marroquino”) e salada.

As receitas? Não as tenho nem quis anotar, já que era a primeira vez que preparava. Para o quibe, hidratei o trigo próprio para o seu preparo (misturei pimenta síria e um tiquinho de nada de sal nele), enquanto temperava a carne com alho, cebola, coentro, pimenta síria, zaatar, hortelã (importantíssima!) e sal. Numa pirex untada com azeite foi camadinha do trigo já escorrido, a carne (que fritei até dourar, antes), trigo novamente e azeite em cima. Pra enfeitar, pinholes e queijo parmesão ralado grosso. Forno por 30 minutos e tá ok. O cuscuz, hidratei com caldo de carne por cinco minutos e enfeitei com o que tinha: tomate seco, pinholes, passas, damascos, gergelim preto e castanha de caju. A salada? Doideira, né? Alface, tomate seco, tomate fresco, cenoura ralada, passas, gergelim preto e…aí está o diferencial, um pouco do queijo chanclish mega-apimentado que eu trouxe, esmigalhado por cima.  Confesso que nem sei se as “receitas” estão totalmente certas, mas foi mais ou menos isso aí. Quer saber? Ficou tudo uma delícia. E fiz a minha mãe sair do almoço trivial de domingo…e ela aprovou. Então salamaleques pra vocês aí e boa semana! 😉